Um vídeo do Carl Cox levou a gente até um projeto que ainda não fazia parte do nosso radar e acabou abrindo uma conversa sobre como alguns eventos conseguem ser reconhecidos antes mesmo da gente descobrir quem está tocando.
Esses dias a gente estava scrollando o feed quando apareceu um vídeo do Carl Cox.
Era ele entrando para tocar em um evento, daquele jeito que só ele consegue fazer: cheio de marra, dançando antes mesmo de subir no palco.
A imagem estava linda. A colorização também.
E, como acontece muitas vezes por aqui, a primeira ideia foi simples: procurar mais vídeos para montar um compilado e publicar na Go Techno.
Parecia uma pauta rápida.
Mas não foi.
Quando a curiosidade mudou o rumo da pesquisa
Enquanto a gente procurava outros ângulos daquele evento, começou a reparar muito mais no local do que no próprio Carl Cox.
A primeira associação foi quase automática.
“Isso parece Cercle.”
Talvez muita gente da cena tenha olhado e pensado a mesma coisa.
Só que tinha um detalhe.
Naquela mesma semana, o Cercle tinha publicado uma carta aberta contando que precisaria cancelar a edição do México por questões financeiras.
Foi uma publicação que movimentou bastante a comunidade e acabou fazendo muita gente conversar sobre o momento que o projeto atravessa.
Então veio uma pergunta bem simples.
Se aquilo não era Cercle, quem estava por trás daquele evento?
Foi assim que a gente chegou ao Gärten Project.
Até então, o projeto ainda não fazia parte das nossas pesquisas.
A primeira impressão
Entramos no site esperando encontrar mais um projeto de música eletrônica.
Mas a primeira frase dizia outra coisa.
“The first luxury musical events brand.”
Aquilo já mudou um pouco a forma como a gente passou a olhar para o projeto.
Então continuamos pesquisando.
Descobrimos que o manifesto do Gärten foi publicado em 2021 e que os primeiros eventos começaram em 2022.
Ou seja, ele já vinha construindo sua história fazia algum tempo.
Por lá já passaram Solomun, Mind Against, Mathame, Stephan Bodzin, Black Coffee, Carl Cox e Mau P.
Os próximos eventos anunciados são com ARTBAT e Ludovico Einaudi (que nem é da música eletrônica).
O conteúdo também conta uma história
Foi nessa hora que surgiu outra curiosidade.
Se o Gärten já existe há alguns anos, por que ele ainda não fazia parte do nosso radar?
Aí fomos procurar os sets completos.
Não encontramos.
Achamos vários cortes publicados pelos artistas, pelo público e por criadores de conteúdo.
Mas não encontramos um canal reunindo essas apresentações, como acontece com o Cercle.
E isso chamou atenção.
Apesar da semelhança entre os projetos, eles parecem seguir caminhos diferentes.
O Cercle fez do conteúdo uma parte importante da própria história.
O Gärten, pelo menos até aqui, parece deixar que a repercussão dos próprios eventos conte essa história por ele.
Por que Carl Cox e Mau P?
No meio dessa pesquisa apareceu outra pergunta.
Tá, mas por que Carl Cox e Mau P?
Fomos atrás dessa resposta também.
Carl Cox representa uma das carreiras mais importantes da música eletrônica.
Mau P vive um dos momentos mais fortes da nova geração.
Os dois hoje estão muito presentes no mesmo circuito internacional de grandes curadorias, principalmente em Ibiza.
No fim, aquela escolha fez bastante sentido.
O que projetos como Cercle, Afterlife, Zamna e Gärten têm em comum?
E aí outra coisa começou a fazer sentido também.
Enquanto a pesquisa ia acontecendo, a gente começou a pensar em projetos como Cercle, Afterlife, Zamna e Gärten.
Todos seguem propostas diferentes.
Todos distribuem conteúdo de formas diferentes.
Mas todos conseguiram criar características tão marcantes que, muitas vezes, basta um frame para a gente reconhecer que existe um projeto muito maior por trás daquele evento.
Talvez tenha sido justamente isso que aconteceu quando aquele primeiro vídeo apareceu no nosso feed.
A associação com o Cercle foi imediata.
Não porque os projetos sejam iguais.
Mas porque alguns eventos já conseguem ser reconhecidos antes mesmo da gente descobrir quem está tocando.
No fim, a pesquisa foi maior do que o post
No fim, a gente fez o post sobre o Carl Cox e ele continuou sendo o protagonista dessa história.
Mas essa pesquisa também apresentou para a gente um projeto que ainda era pouco notado por nós.
A ideia era montar um compilado de vídeos.
Terminou mostrando como alguns projetos conseguem transformar um lugar, uma produção e uma proposta em algo que a gente reconhece quase instantaneamente.
Foi isso que fez essa pesquisa valer a pena.
Sobre a autora
Michele Lolita
Fundadora e editora da Go Techno. www.gotechno.com.br
Ama techno e Belo na mesma proporção. Especialista em contar mentira na mesa de bar.
Continue explorando a cena eletrônica
Publicamos diariamente notícias, análises, coberturas e conteúdos exclusivos sobre a cena nacional e internacional.
📲 Instagram: https://www.instagram.com/go.techno
