DO CINEMA À PISTA: CONHEÇA A TRAJETÓRIA DE MLADEN SOLOMUN

Da adolescência ligada ao futebol ao trabalho em obras e produções cinematográficas, o artista nascido na Bósnia construiu uma carreira na música eletrônica que o levou à criação da Diynamic e a algumas das principais pistas do mundo.
Solomun durante apresentação

Antes de se tornar um dos nomes mais conhecidos da música eletrônica internacional, Mladen Solomun percorreu caminhos que pouco têm em comum com a carreira que construiu posteriormente. Nascido em Travnik, na então Iugoslávia, atual Bósnia e Herzegovina, o artista mudou-se ainda criança com a família para Hamburgo, na Alemanha, cidade onde cresceu e teve seus primeiros contatos com a cultura dos clubs.

A música, porém, não foi sua primeira possibilidade de carreira. Na adolescência, Solomun tinha uma forte ligação com o futebol e chegou a ser considerado para a seleção alemã sub-16. A oportunidade foi recusada porque, naquele momento, ele queria representar a Iugoslávia, país de origem de sua família. O episódio acabou se tornando um dos primeiros desvios de uma trajetória que, anos depois, o levaria para outra área completamente diferente.

O primeiro contato com a música veio cedo

Solomun teve contato com a música eletrônica ainda adolescente. Um primo mais velho, que frequentava clubes, costumava levar fitas para Hamburgo. Para um jovem acostumado principalmente ao que tocava nas rádios comerciais, aquelas gravações apresentaram um universo musical novo. A partir daí, ele começou a investir o próprio dinheiro em discos de vinil e montou uma coleção que chegou a cerca de 50 ou 60 títulos.

Aos 16 anos, começou a tocar para outros adolescentes no House of Youth, em Hamburgo. A experiência, entretanto, não levou imediatamente a uma carreira profissional. Solomun passou alguns anos afastado da música enquanto outras atividades ocupavam seu tempo, inclusive o futebol. Foi somente na casa dos 20 anos que ele voltou a se aproximar de forma mais consistente da cena musical.

Da construção civil ao cinema

Antes de encontrar na música uma profissão, Solomun trabalhou com o pai na construção civil. Em entrevista à DJ Mag, ele contou que começou cedo a ajudar nos trabalhos da família e que, durante a guerra na Bósnia, parentes foram para Hamburgo e também passaram a trabalhar com eles. Como alguns não falavam alemão, Solomun assumiu responsabilidades de comunicação com arquitetos e responsáveis pelas obras.

O cinema apareceu depois. Interessado pelo setor, ele começou a trabalhar em produções audiovisuais e passou por diferentes funções, incluindo motorista, estágio, produção, iluminação e trabalho relacionado à câmera. Também fundou uma pequena produtora com dois amigos, com quem realizou curtas-metragens. Em outro momento, fez um estágio de direção em um set de Tatort, tradicional série policial alemã.

A experiência cinematográfica durou cerca de cinco anos. Embora tivesse interesse pela área, Solomun acabou percebendo que não queria seguir aquele caminho profissionalmente. Ao mesmo tempo, a música voltava a ganhar espaço em sua vida e começava a deixar de ser apenas uma atividade paralela.

A música finalmente se tornou prioridade

O retorno definitivo à produção musical aconteceu por volta dos 23 anos. Um amigo que mantinha um selo de hip-hop permitiu que Solomun acompanhasse de perto seu processo de produção durante cerca de um ano. Depois desse período, ele comprou um computador e começou a produzir sozinho.

Os primeiros resultados, segundo o próprio artista, estavam longe de ser satisfatórios. Mesmo assim, ele continuou trabalhando e passou a conciliar a produção com as festas que organizava em Hamburgo ao lado de Adriano Trolio. Foi nesse ambiente que começou a surgir a estrutura que mais tarde daria origem à Diynamic.

A decisão de abandonar os outros trabalhos e se dedicar à música não aconteceu de uma hora para outra. Em entrevista, Solomun descreveu sua carreira como uma sequência de pequenos momentos: as primeiras festas que deram certo, os primeiros lançamentos, a primeira vez em que foi colocado como headliner e os primeiros shows fora da Alemanha. A possibilidade de viver de DJing foi sendo construída gradualmente.

A criação da Diynamic

Em 2006, Solomun e Adriano Trolio fundaram a Diynamic em Hamburgo. O projeto surgiu a partir das festas DIY que os dois organizavam e passou a funcionar como uma plataforma para os artistas e a sonoridade que estavam desenvolvendo ao redor daquela cena.

A proposta de fazer as coisas por conta própria também está associada ao próprio nome do selo, inspirado na expressão “Do It Yourself”. A Diynamic se tornou posteriormente uma parte central da trajetória de Solomun e ajudou a estabelecer uma rede de artistas que ganhou projeção internacional.

Os primeiros lançamentos vieram ainda no início dessa fase. Em 2006, Solomun apresentou seu primeiro EP pelo selo e, nos anos seguintes, a Diynamic ampliou seu catálogo com nomes que passaram a fazer parte de seu núcleo artístico, enquanto o próprio Solomun avançava como produtor e DJ.

Do underground de Hamburgo para Ibiza

A carreira ganhou força ao longo dos anos seguintes, especialmente com seus lançamentos e remixes. Um dos trabalhos mais importantes desse período foi sua versão para “Around”, de Noir & Haze, que ajudou a ampliar sua projeção internacional.

Em Ibiza, Solomun encontrou outro capítulo importante de sua trajetória. Em 2013, estreou o conceito Solomun +1 no Pacha, formato baseado em uma noite dividida entre o próprio artista e um convidado. A proposta valorizava sets extensos e a interação entre os dois DJs, tornando-se uma das marcas de sua passagem pela ilha.

A partir daí, Solomun consolidou uma carreira internacional marcada por apresentações em clubs e festivais de diferentes partes do mundo. O percurso que havia começado entre discos de vinil, trabalhos na construção civil e sets para adolescentes em Hamburgo agora estava associado a algumas das principais pistas da música eletrônica.

Solomun de volta ao Brasil

O Brasil também faz parte dessa trajetória há anos. Em uma entrevista à DJ Mag, Solomun citou seus primeiros shows no país entre os momentos que o fizeram perceber que poderia viver da música.

Em 2026, o artista retorna para duas apresentações consecutivas. No dia 31 de outubro, Solomun se apresenta na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, ao lado de Vintage Culture. No dia seguinte, 1º de novembro, ele segue para São Paulo para um show no Parque Villa-Lobos, com início marcado para as 14h.

As duas datas apresentam formatos diferentes, mas fazem parte do mesmo retorno ao país. Em Curitiba, o encontro com Vintage Culture coloca dois artistas de projeção internacional no mesmo palco. Em São Paulo, Solomun assume uma apresentação solo ao ar livre.

Mais de duas décadas depois dos primeiros sets em Hamburgo, a trajetória de Mladen Solomun continua passando por diferentes cidades e pistas. O caminho até aqui, no entanto, começou muito antes dos grandes palcos e teve futebol, construção civil, cinema e uma coleção de vinis pelo caminho.

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Solomun divide a programação de Curitiba com Vintage Culture. Conheça também a origem de um dos principais projetos criados pelo artista brasileiro.

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