Poucos artistas da música eletrônica conseguem atravessar mais de duas décadas de carreira mantendo relevância em diferentes momentos da cena. Kaskade é um deles.
Nascido Ryan Gary Raddon, em Chicago, o DJ e produtor americano começou a construir sua trajetória ainda nos anos 1990, passando por Salt Lake City e Nova York antes de se estabelecer em San Francisco. Sua relação com a música eletrônica começou não apenas atrás das pickups, mas também nos bastidores da indústria: Raddon trabalhou como dono de loja de discos e posteriormente como A&R na OM Records, enquanto desenvolvia suas próprias produções.
Foi nesse ambiente que nasceu Kaskade, projeto que rapidamente se tornou um dos nomes mais importantes do house e do progressive house nos Estados Unidos.
Do house de San Francisco aos grandes palcos
O primeiro álbum de Kaskade, It’s You, It’s Me, chegou em 2003. O trabalho apresentava uma sonoridade marcada pelo house e por uma abordagem mais orgânica, estabelecendo as bases para o que viria nos anos seguintes.
Em 2004, veio In the Moment. Dois anos depois, Kaskade lançou Love Mysterious, que também marcou sua chegada à Ultra Records, gravadora com a qual passaria a desenvolver uma das fases mais importantes de sua carreira.
A partir daí, sua discografia ganhou escala. Strobelite Seduction, lançado em 2008, trouxe uma de suas colaborações mais importantes, “Move for Me”, produzida em parceria com deadmau5. O álbum se tornou, até então, seu maior sucesso comercial.
Vieram depois The Grand (2009), Dynasty (2010), Fire & Ice (2011), Atmosphere (2013) e Automatic (2015), trabalhos que acompanharam a transformação da música eletrônica americana durante os anos em que o gênero passou a ocupar cada vez mais espaço nos grandes festivais e nas paradas. Dynasty foi o primeiro álbum de Kaskade a entrar na Billboard 200, enquanto Fire & Ice chegou ao Top 20 da parada.
“I Remember”, deadmau5 e uma parceria que virou história
Entre tantos lançamentos, a colaboração com deadmau5 ocupa um capítulo próprio.
Os dois trabalharam juntos pela primeira vez em 2008 em “I Remember”. Naquele mesmo período, lançaram “Move for Me”, que chegou ao primeiro lugar da parada Hot Dance Airplay da Billboard. Mais tarde, a dupla ainda colaboraria em “Beneath With Me”.
A parceria ganhou uma nova dimensão em 2022, quando Kaskade e deadmau5 apresentaram o projeto Kx5. O primeiro single, “Escape”, com Hayla, abriu caminho para uma nova fase da dupla e para o álbum homônimo lançado em 2023.
Antes mesmo do lançamento do álbum, Kx5 já havia criado um momento de grandes proporções. Em dezembro de 2022, Kaskade e deadmau5 reuniram cerca de 50 mil pessoas no Los Angeles Memorial Coliseum, em um show que a Pollstar classificou como o maior concerto de um único dia liderado por um artista de música eletrônica na América do Norte.
O álbum Kx5 também levou a parceria novamente ao GRAMMY, com indicação na categoria de Melhor Álbum Dance/Eletrônico na edição de 2024.
O reconhecimento do GRAMMY
A relação de Kaskade com o GRAMMY começou ainda na era de Fire & Ice. O álbum recebeu uma indicação em 2013 na categoria de Melhor Álbum Dance/Eletrônico.
No ano seguinte, Atmosphere ampliou esse reconhecimento, recebendo indicações tanto por álbum quanto por gravação. Kaskade também acumulou indicações por remixes de “Smile”, “Runaway (U & I)”, “Only” e “Stargazing”.
Com a indicação de Kx5 em 2024, o artista chegou a oito indicações ao GRAMMY ao longo da carreira. Até o momento, ele ainda não venceu a premiação.
Mais do que uma coleção de indicações, a lista mostra a variedade de sua atuação como produtor: seus reconhecimentos passam por álbuns, gravações e remixes, acompanhando diferentes momentos de sua carreira.
Um artista que ajudou a acompanhar a evolução dos festivais
Kaskade também esteve presente em momentos importantes da expansão da música eletrônica nos Estados Unidos.
Sua história com o Electric Daisy Carnival, por exemplo, começou ainda em 2005. Em 2010, quando o festival começava a ganhar uma dimensão cada vez maior, Kaskade foi um dos nomes presentes no evento. No ano seguinte, voltou ao palco ao lado de nomes como deadmau5, Swedish House Mafia e Armin van Buuren.
O próprio Kaskade já descreveu a edição de 2010 do EDC como um momento em que percebeu que a música eletrônica estava prestes a alcançar uma escala muito maior nos Estados Unidos.
O Coachella também faz parte dessa trajetória. O artista chegou ao palco principal do festival em um momento em que a música eletrônica ainda ocupava um espaço diferente dentro da programação do evento, experiência que ele próprio apontou como um dos momentos marcantes de sua carreira.
Do palco principal ao universo Redux
Uma das características que ajudaram Kaskade a permanecer relevante é sua capacidade de trabalhar diferentes lados da música eletrônica.
Enquanto seus grandes shows o colocaram diante de dezenas de milhares de pessoas, a série Redux explorou uma abordagem mais ligada ao house e à experiência de club. A série começou a ganhar forma na segunda metade dos anos 2010 e passou a representar uma parte importante de sua identidade artística.
Essa divisão entre grandes palcos e ambientes mais intimistas também ajuda a explicar por que sua discografia não pode ser resumida apenas ao EDM de festivais. House, progressive house, vocais e produções mais melódicas aparecem em diferentes fases de seu catálogo.
Kaskade continua olhando para frente
Mesmo depois de construir uma carreira que atravessa diferentes gerações da música eletrônica, Kaskade não ficou restrito ao próprio catálogo.
Em dezembro de 2025, ele lançou undux, seu primeiro álbum solo completo em mais de uma década. O trabalho apresenta um lado mais introspectivo de sua produção e sucede uma sequência de singles, EPs e projetos colaborativos que mantiveram sua discografia ativa durante os anos anteriores.
Nos últimos anos, Kaskade também colaborou com nomes de diferentes gerações e vertentes da dance music. Entre eles estão John Summit e Julia Church, com quem lançou “Resonate” em 2024.
Sua agenda atual também mostra que a carreira continua em movimento: em 2026, Kaskade segue circulando por grandes festivais e clubs internacionais, com apresentações programadas na América do Sul, Europa e América do Norte.
Kaskade volta ao Brasil
É nesse momento da carreira que Kaskade retorna ao Brasil para uma nova apresentação no país.
O DJ e produtor americano se apresenta no Laroc Club Guarujá no dia 10 de outubro de 2026, com abertura da casa prevista para as 16h. A apresentação acontece durante o feriado prolongado de outubro e marca o retorno do artista ao club, depois de sua passagem pela casa em 2024.
Localizado no litoral paulista, o Laroc Guarujá faz parte do Grupo Laroc e tem uma proposta voltada à música eletrônica em meio à paisagem litorânea. O próprio club lista Kaskade entre os headliners internacionais que já passaram por suas pistas.
Para quem acompanha a trajetória do artista, a apresentação reúne diferentes capítulos de sua carreira em um único palco: dos clássicos que ajudaram a definir sua assinatura, passando pela era Kx5 e pelas produções mais recentes, até o material de undux.
Mais de 20 anos depois do início de sua discografia, Kaskade continua fazendo aquilo que marcou sua trajetória desde o começo: encontrar novas formas de levar sua música para diferentes públicos sem abandonar a identidade construída ao longo do caminho.
Kaskade se apresenta no Laroc Guarujá em 10 de outubro de 2026.
CONTINUE EXPLORANDO A CENA ELETRÔNICA
Nesse mesmo final de semana, o cantor, produtor e multi-instrumentista britânico Elderbrook se apresenta pela primeira vez no Brasil com uma miniturnê no formato DJ Set em três datas.
➡️ Leia também: ELDERBROOK: DA VOZ DE “COLA” A UM DOS NOMES MAIS SINGULARES DA MÚSICA ELETRÔNICA BRITÂNICA
A Go Techno acompanha diariamente a música eletrônica no Brasil e no mundo, com notícias, entrevistas, lançamentos, festivais e os movimentos que ajudam a construir a cena.
Siga a Go Techno no Instagram para acompanhar os próximos conteúdos.
📲 Instagram: @go.techno
