ELDERBROOK: DA VOZ DE “COLA” A UM DOS NOMES MAIS SINGULARES DA MÚSICA ELETRÔNICA BRITÂNICA

Com uma carreira que conecta produção, composição, vocais e instrumentos, Kaskade construiu uma identidade própria na música eletrônica e chega ao Brasil em outubro para três apresentações.

Para quem acompanha a música eletrônica, é difícil ouvir “Cola” sem reconhecer imediatamente a voz de Elderbrook. Lançada em 2017 em parceria com o duo britânico CamelPhat, a música se tornou um dos grandes sucessos da carreira de Alexander Kotz, nome por trás do projeto, alcançando o primeiro lugar da parada Dance Club Songs nos Estados Unidos e rendendo uma indicação ao Grammy de Melhor Gravação Dance. O alcance da música, no entanto, acabou sendo apenas uma das primeiras grandes etapas de uma trajetória que se tornou muito mais ampla nos anos seguintes.

Nascido em Londres, em 1992, Alexander Kotz teve contato com a música muito antes de assumir o nome Elderbrook. Na adolescência, integrou uma banda de indie rock, onde atuava como guitarrista e cantor, e posteriormente também experimentou o hip-hop. Foi durante os estudos em Bath, na Inglaterra, que encontrou na música eletrônica o espaço para reunir diferentes referências e desenvolver a sonoridade que marcaria seu projeto. Desde os primeiros trabalhos, sua produção passou a combinar elementos eletrônicos com uma forte presença de composição e vocais.

O primeiro período da carreira foi marcado por EPs e lançamentos que ajudaram a apresentar Elderbrook à cena britânica. Em 2015, “How Many Times”, de seu primeiro EP Simmer Down, ganhou um remix do duo alemão Andhim e chamou a atenção da imprensa especializada. Naquele momento, Kotz já demonstrava uma característica que continuaria presente em seu trabalho: a capacidade de aproximar estruturas voltadas para a pista de uma escrita mais pessoal e melódica.

Foi com “Cola”, entretanto, que Elderbrook passou de uma promessa da cena para um nome reconhecido internacionalmente. A parceria com CamelPhat transformou a música em um hit global e colocou sua voz no centro de algumas das principais pistas do mundo. O sucesso também abriu espaço para novas colaborações e para que Kotz desenvolvesse o projeto para além da lógica de singles e participações.

Nos anos seguintes, Elderbrook ampliou sua rede de colaborações sem abandonar a própria identidade. Entre os nomes com quem trabalhou estão Bob Moses, Gorgon City, Rudimental, Tourist, Kx5, Vintage Culture, Diplo, Lane 8 e Adriatique. A lista ajuda a mostrar a amplitude do projeto: Elderbrook consegue transitar por diferentes vertentes da música eletrônica sem deixar que sua voz e sua composição desapareçam dentro das produções.

Uma das parcerias mais importantes dessa fase aconteceu com Bob Moses em “Inner Light”. Lançada originalmente em 2021, a música ganhou novo destaque em 2026 depois de aparecer no Extended Look de Grand Theft Auto VI. Segundo a Complex, a exposição provocou um aumento de 462% nos streams da faixa, recolocando uma música lançada anos antes no centro das conversas sobre a trilha sonora do aguardado jogo.

A relação com o Brasil também já fazia parte dessa trajetória antes mesmo da chegada de Elderbrook ao país. O artista colaborou diversas vezes com Vintage Culture, incluindo “Talk It Over” e “Run”, além de outras conexões envolvendo o produtor brasileiro. Essa aproximação ajudou a criar uma familiaridade entre Elderbrook e o público brasileiro mesmo antes de uma apresentação sua por aqui.

UMA CARREIRA QUE NÃO DEPENDE DE UM ÚNICO HIT

Depois do impacto de “Cola”, Elderbrook começou a construir uma discografia capaz de sustentar o projeto para além de uma colaboração de sucesso. Seu primeiro álbum de estúdio, Why Do We Shake in the Cold?, chegou em 2020 e apresentou de forma mais ampla a combinação entre música eletrônica, songwriting e vocais que já aparecia nos trabalhos anteriores. O disco foi seguido por Little Love, em 2023, e Another Touch, em 2024.

Cada lançamento ampliou um pouco mais o universo musical de Kotz. Enquanto Little Love apostou em uma abordagem mais concentrada no próprio projeto, Another Touch trouxe uma série de colaboradores e reforçou sua capacidade de trabalhar entre diferentes territórios da música eletrônica. Em entrevista, o próprio artista explicou que costuma escrever com diferentes pessoas e selecionar posteriormente as músicas que melhor representam cada projeto.

Em 2026, Elderbrook continuou expandindo essa produção com novos lançamentos. Entre eles estão “Falling”, com Shimza, “Lost in the Woods”, com Adriatique, “Is It Over Now?” e “Staring at the Sun”, com Rules. Em setembro, lançou ainda “Never Get Enough”, produção que contou com o Trilogy Group Choir e foi apresentada como uma reflexão sobre memória e a vontade de recuperar uma sensação do passado.

Esse momento reforça uma característica importante de Elderbrook: embora “Cola” continue sendo uma referência incontornável de sua carreira, o projeto não ficou preso ao sucesso de 2017. Ao longo de quase uma década, Alexander Kotz desenvolveu uma discografia própria, acumulou bilhões de streams e passou a ocupar diferentes espaços dentro da música eletrônica, como produtor, compositor, cantor, multi-instrumentista e DJ.

DO LIVE ACT ÀS CABINES

Outra parte importante da identidade de Elderbrook está na forma como ele apresenta sua música. Em seus projetos ao vivo, voz, instrumentos e elementos eletrônicos se encontram para transformar as composições em performances que se aproximam da lógica de um show, enquanto os DJ sets exploram outro lado de sua relação com a pista.

Essa versatilidade também explica por que Elderbrook consegue circular por públicos diferentes. Seu trabalho pode partir de uma composição mais introspectiva e chegar a uma pista de dança, mantendo como ponto de conexão a voz e a construção melódica que se tornaram características de sua assinatura.

No Brasil, parte dessa versatilidade poderá ser vista em três contextos diferentes. A passagem começa pelo Rio de Janeiro, segue para Camboriú e termina em Valinhos, colocando o artista diante de públicos e propostas distintas ao longo de um único fim de semana.

ELDERBROOK NO BRASIL

A primeira apresentação acontece no dia 9 de outubro, no Edifício Touring, no Rio de Janeiro, durante a festa de encerramento oficial da 28ª edição do Festival do Rio, realizada em parceria com a BOMA. Elderbrook será a atração principal da noite em formato DJ set, em uma programação que também reúne Amémé, Jackson, OSGEMEOS, Halfcab, Lysia e Escola de Mistérios. A festa conecta música, cinema e arte em um dos espaços históricos da Praça Mauá.

No dia seguinte, 10 de outubro, Elderbrook segue para Camboriú, em Santa Catarina, onde se apresenta no Greenvalley. O artista também fará um DJ set, dividindo a noite com Liu, ZAC, Tiago Melchior e Analu. A apresentação marca a chegada de um dos principais nomes da música eletrônica britânica ao club catarinense, conhecido por sua trajetória no cenário internacional.

A passagem brasileira termina no dia 11 de outubro, no Âme Club, em Valinhos, São Paulo, durante a quinta edição do Âme Mélodique, festa autoral dedicada às sonoridades melódicas que fazem parte da identidade da casa. A apresentação também representa a estreia de Elderbrook no club, ao lado de Nils Hoffmann, Giuseppe Ottaviani, Scorz B2B Silvio Soul, Rigooni e Rob TS.

Serão, portanto, três oportunidades de encontrar Elderbrook em território brasileiro em um intervalo de apenas três dias. Para quem chegou até sua música por “Cola”, acompanhou suas colaborações ou descobriu trabalhos mais recentes como “Inner Light” e “Lost in the Woods”, outubro marca a oportunidade de finalmente colocar o artista por trás dessas músicas diante do público brasileiro.


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Nesse mesmo final de semana, Kaskade se apresentará no Brasil em data única. O renomado DJ e produtor norte-americano está confirmado para uma apresentação exclusiva no país, marcada para o dia 10 de outubro de 2026.

➡️ Leia também: Kaskade: a trajetória de uma das figuras que ajudaram a moldar a música eletrônica americana

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